6.2.17

Sebo Encanto Radical, Coleção Encanto Radical, 2016




Criado como um site specific para a Banca Tijuana, na Galeria Vermelho em São Paulo, no Sebo Encanto Radical são vendidos exemplares da coleção 
Encanto Radical, da Editora Brasiliense, adquiridos de outros sebos. Iniciada na década de 1980, a Encanto Radical é uma coleção de biografias em formato de bolso cuja escolha dos biografados deixa claro o pensamento progressista da editora. 
Como todo bom sebo que deixa-se marcar nas páginas dos livros através de carimbos, selos, adesivos, etc, as marcas do Sebo Encanto Radical são dois relevos impressos: um diálogo no índice de cada exemplar – que fala sobre o indivíduo pertencer ao mundo e, assim, à história – e uma traça de livro numa página qualquer do miolo (imagens a seguir). Os exemplares não são assinados ou numerados já que obra não parte da ideia de tiragem, mas sim de instalação em permanente manutenção e renovação do estoque.



Além de um claro posicionamento à esquerda, na escolha dos biografados (Karl Marx, Simone Weil, Emiliano Zapata, George Lukács, Salvador Allende, José Carlos Mariátegui, Emma Goldman, Pancho Villa, Pier Paolo Pasolini, Ho Chi Minh), a coleção também evidencia escolhas pontuais: Garrincha em vez de Pelé; Mae West em vez de Marylin Monroe; Murilo Mendes em vez de Carlos Drummond de Andrade; Flávio de Carvalho em vez de Di Cavalcanti; Marcel Duchamp em vez de Picasso; Salvador Allende em vez de Che Guevara. 
Na escolha dos biógrafos há ainda nomes significativos ou que foram ganhando significado com o tempo: Sergei Eiseinstein biografado por Arlindo Machado; Walter Benjamin por Jeanne Marie Gagnebin; Emiliano Zapata por Eric Nepomuceno; Leon Tolstoi por Boris Schnaiderman; Simone Weil por Ecléa Bosi; Roland Barthes e Lautréamont por Leyla Perrone-Moisés; Barão de Itararé por Leandro Konder; Procópio Ferreira por Décio de Almeida Prado; James Dean por Antônio Bivar; David W. Griffith por Ismail Xavier; Jesus a. C., Bashô e Cruz e Sousa por Paulo Leminski. E, na lista A SAIR, que era publicada logo no início dos exemplares da década
de 1980, constam vários títulos que infelizmente minhas pesquisas não conseguiram confirmar se chegaram ou não a ser publicados: Arthur Rimbaud biografado por Caio Fernando Abreu; Mário de Andrade por Cacaso; Rosa Luxemburgo por Marilena Chauí; Maiakovski por Boris Schnaiderman; Bakunin por João Silvério Trevisan.